Capitulo 2: Landing

Chegando na imigracao a fila ate que nao estava grande. Logo a nossa frente na fila um senhor com estatura de no maximo 1,50m e aparencia de duende falou conosco em uma lingua estranha(que acho que era hebraico pois vi que seu passaporte era israelense), respondi que so falava ingles e ele insistiu com a Claudia. A fila foi andando e chegando nossa vez, ja comecei a notar que os agentes estavam de mau humor, quem sabe talvez por ser tao cedo. Em um dos guiches vi o cara pedindo a carta da escola de uma brasileira que estava entrando com visto de estudante, a menina que nao aparentava ter mais que 20 anos nao entendeu nada e o cara comecou a ficar impaciente e de mais mau humor ainda. Pegou uma carta do agente vizinho, que estava no momento com outro estudante tambem, e falou bem grosso “isto aqui, eu quero ver cada o seu papel igual a esse”. A menina finalmente entendeu e so deu com os ombros, a fila foi andando e nao vi o desfecho da coisa toda, mas acho que ela conseguiu entrar. Fiquei entao torcendo para nao pegar esse agente que ja estava visivelmente aborrecido, mas nao eh que de uns 10 guiches fomos cair justamente no dele! O sotaque dele tambem nao ajudava, dava pra ver que era de algum lugar da India ou Paquistao, parecendo uma ironia estar trabalhando como agente de imigracao. Nao pediu para ver o dinheiro ou prova de fundos, apenas perguntou quanto traziamos e anotou. Como era de se esperar, pois ja estava irritado, foi bem seco e grosso e no final disse um “Welcome to Canada” quase inaldivel, sendo percebido somente por mim.

Saindo da imigracao, fomos pegar as malas, como ja foi dito por muitos, sem cartao de credito internacional ou moedas, nao tem como pegar os carrinhos no Aeroporto de Toronto. Detalhe que o Visa Travel Money nao funcionou para isso, entao tive que apelar pro cartao mesmo, $2 por carrinho, sendo que ao devolve-los a maquina retorna 25 cents. A unica outra opcao que vi sao uns carregadores que cobram, se nao estou enganado, $15 dolares nao sei se por um volume ou dois pois nao peguntei. Depois disso passamos novamente pela Customs, dessa vez a mulher conferiu o formulario que o primeiro funcionario preencheu de acordo com nossas respostas, fez mais algumas perguntas e depois pediu para ver a documentacao da Mei. Falou que nao poderiamos entrar no Canada com a racao trazida do Brazil e a jogou no lixo, depois disso emitiu um papel e me enviou ao caixa para pagar a taxa de entrada do animal. No caixa mais mau humor, quando entreguei uma nota de $100 para pagar os 30 e poucos dolares, ela perguntou se nao tinha dinheiro mais trocado e pedi desculpa respondendo que nao, ela fechou a cara e mandou um “whatever”.

No aeroporto ja pegamos uma pessima ma impressao de Toronto com essas “boas vindas”. La fomos nos pra fazer o check-in da conexao, quando a primeira pessoa simpatica em solo canadense nos atendeu, a funcionaria da Air Canada nao so disse que poderiamos levar a Mei na cabine novamente como tambem nos colocou no primeiro voo para Ottawa, que estava saindo em meia-hora. Havia marcado a conexao para 10h em caso de algum atraso, mas acabou que as boas intencoes da mulher nos levaram a outra correria. Corremos para o portao de embarque onde a fila da checagem de seguranca estava kilometrica, o tempo passava e achava cada vez mais dificil conseguir pegar o voo. Quando no raio-x pediram para esvaziar tudo da mochila da Claudia eu tive certeza que a vaca tinha ido pro Brejo, faltavam menos de 15 minutos pro aviao partir e nos la com o carinha checando objeto por objeto com a maior calma do mundo e eu tentando pensar num mantra zen e ja pensando em chegar la no embarque e nos colocarem no nosso voo mesmo. Quando o cara deu sinal verde para irmos embora, depois de nao encontrar nada suspeito obviamente, passamos pelo Carlos, Lidy e Levi que estavam tomando cafe da manha e nao deu tempo nem de despedir, acho que disse algo como “vamos pegar outro voo, estamos atrasados, tchau…”.

Corremos e conseguimos chegar a tempo, mas para quem acha que seria facil, a caixa de transporte da Mei nao cabia embaixo da cadeira. O aviao estava lotado, minha cadeira era de uma lado e a Claudia ficou do outro. Os passageiros eram em sua maioria executivos fazendo ponte aerea Toronto-Ottawa e eu la tenta o acomodar o transporte no chao. Chamei o comissario de bordo e ele fui com ele ate a porta do aviao, ele chamou alguem no rado encarregado das bagagens e tiveram que embarcar a Mei no porao mesmo. Pelo menos ele foi muito educado e prestativo, no final deu tudo certo. Os 45 minutos ate que passaram rapido e quase duas horas antes do previsto, estavamos pousando em Ottawa…

Capitulo 1: A viagem

15/09/2009. Muito stress. Essa eh a melhor definicao.

Fazer uma viagem intercontinental com 7 malas, duas mochilas e um gato nao eh facil. Ja posso dizer que sou um expert na arte de andar com 2 carrinhos de bagagem ao mesmo tempo, um em cada mao. Pena que ainda nao tem essa modalidade nas olimpiadas, pq eu traria alguma medalha pra casa.

Tudo comecou ainda antes do check-in. Tivemos que trocar o tapete absorvente cheio de xixi, a Mei tem pavor de transporte desde a viagem  USA/Brasil, pra ela estar num transporte ela sabia que a coisa nao era boa. Pra completar tinhamos que dar um remedio calmante recomendado pela veterinaria. Nao foi muito facil, acho que metade do remedio caiu no chao mas foi o suficiente, logo ela ficou calminha “curtindo a lombra”.

No check-in da TAM foi preciso bastante choro para nao pagar o excesso dos nossos terceiros volumes no trecho Fortaleza-SP ja que a rigor teriamos que pagar mesmo, afinal, eh uma cortesia oferecida pela Air Canada, nao constando no bilhete. Ja a Mei nao pode ir na cabine pois o transporte era muito grande. Mas olha que ainda era pouco menor que o recomendado para o tamanho dela. Nos sites das companhias aereas tem varias recomendacoes sobre os tamanhos do transporte, bebedouro e etc. A rigor nao tem ninguem preocupado com isso, a unica coisa que checam eh tamanho do transporte(para saber se da pra ir na cabine ou nao) e atestado de vacina, nada mais. Tiramos ate o bebedouro da portinha do transporte por recomendacao no propria check-in, pois disseram que ele poderia cair durante a estadia no compartimento de carga.

Bagagens e Mei despachadas(coracao na mao), o check-in tomou tanto tempo que as despedidas tiveram que ser rapidas. Melhor assim.

Em SP tivemos que pegar as bagagens e a Mei para fazer a conexao. Nossos companheiros de viagem foram para um semi-hotel que fica dentro do aeroporto mesmo com o filho Levi, que estava febril. Ate pensei nessa possibilidade no planejamento da viagem, mas que foi descartada pq eles nao aceitam animais de qualquer tipo. Fomos entao procurar um banquinho simpatico localizado proximo a area de check-in da Air Canada, ja que ali seria nossa residencia pelas proximas 5 horas. Lugar estrategicamente escolhido perto de uma tomada e uma mesinha para colocar a caixa de transporte da Mei. Acampamento feito, fui procurar cartao pre-pago de acesso wireless pra internet. A tarefa teoricamente facil me levou ao outro extremo do aeroporto de Guarulhos, enquanto Claudia e Mei esperavam nos bancos. Depois de percorrer aproximadamente 5 estabelecimentos comerciais, incluindo a propria Telefonica,pois todos estavam sem o cartao. Acabei comprando um cartao da Vex numa farmacia de acesso para 24hs por R$25(outra opcao era 2hs por R$15) que funcionou perfeitamente.

Tanto empenho nao era somente para ajudar a passar o tempo, mas ate o momento nao tinhamos lugar definido para ficar quando chegassemos em Ottawa. Na vespera da viagem recebi um email dizendo que por um imprevisto nosso lugar nao estava disponivel ainda. Nada de panico, um problema de cada vez. Email vai, email vem, em Guarulhos, horas antes de chegar no Canada fiquei sabendo que estava tudo resolvido.

Proximo passo, check-in da Air Canada. O guiche so abre 17hs, mas 16:30h ja tinha fila. Novo problema, a atendente da TAM, que tinha sido muito simpatica, por engano ficou com a original e nos devolveu a copia do CZI(certificado de vacina internacional) da Mei. Fomos orientados a ir no Departamento de Agricultura tirar um novo documento. Para dar tempo, Claudia foi fazer isto e eu pagar a passagem da Mei no escritorio da Air Canada, que fica num corredor escondido por tras dos guiches. Departamento de agricultura do nosso lado do aeroporto ja estava fechado, mandaram a Claudia pro outro que ficava no lado oposto do aeroporto. Nova correria, chegando la o cidadao disse que nao poderia emitir outro CZI pq o atestado do veterinario estava vencido, segundo ele teria validade de 3 dias, o que sabiamos eh que eram 10 dias, estando escrito no atestado. Largou uns carimbos e disse que era o melhor que podia fazer, teriamos que tirar um novo atestado em algum veterinario em Guarulhos para um novo CZI, ou seja, voo so no dia seguinte. Voltando no guiche da Air Canada, depois de muita conversa e psicologia consegui convencer o atendente a embarcar a Mei, mesmo sabendo que corria o risco de algo dar errado na entrada no Canada, segundo as palavras dele(e que era verdade). Pelo menos conseguimos embarcar a Mei na cabine conosco, pra o maior trecho da viagem.

No aviao o “aeromoco” foi logo dizendo assim que pus o pe dentro do aviao que que o gato nao poderia ir na nossa fileira(a primeira). Achei que era brincadeira e so respondi que podia sim, que ja estava tudo ok(cansado depois de tanto stress), ele retrucou dizendo que nao estava ok e continuei achando que era brincadeira, pois ele sorria o tempo todo(cinismo).  Outra pessoa veio falar conosco, esse explicou que nada podia ir no chao do aviao e como nossa fileira era a primeira depois da primeira classe, teriamos que mudar de fileira. Fala com um daqui, fala com outro ali, as pessoas nao entendiam o que eles falavam pois nesse ponto toda crew do aviao era canadense e os passageiros brasileiros, acabou que a Lidy e o Levi estavam logo atras de nos e nos quebraram o galho levando a Mei nos pes.

Depois de servirem o jantar ainda assisti o ultimo Exterminador do Futuro antes da porcaria da minha telinha travar e nao passar mais nada. Nao consegui dormir mais que meia-hora, pensando no landing, documentos da Mei, chegada em Ottawa e tudo mais. Depois de preencher o formulario do customs ainda teve um cafe da manha, com direito ao primeiro copo de cafe com leite aguado ao estilo norte-americano.

Chegamos em Toronto ainda escuro, 5:30h da manha. Primeiro passo depois dos interminaveis corredores foi o primeiro posto do Customs. Todos, sem excecao de nacionalidade e incluindo canadenses, entraram na fila. No guiche, o carinha com o maior mau-humor do mundo, com cara de quem tinha acabado de acordar, fez perguntinhas basicas, so confirmando o que escrevemos no formulario e nos mandou pra fila seguinte: a imigracao.

To be continued…

Oh Canada

Post curtinho so pra avisar que chegamos bem, apesar de exaustos, depois de aproximadamente 30 horas de viagem. A minha primeira impressao de Ottawa eh de uma cidade bem bonita, limpa e organizada. Temos acordado e saido de casa, voltando so quando escurece, por volta de 19h. Entao depois de chegar em casa e tentar organizar um pouco a bagunca do quarto(sete malas, duas mochilas e um gato), tomar banho, etc, as energias ja estao esgotadas. Mas assim que possivel vou contando como tudo tem sido. Acho que ate domingo ja deve sair algo.

Stay tuned!